Como não tínhamos nada em mente, eu me antecipei e consultei um desses guias de um determinado jornal. Depois de passar os olhos pelas páginas de cinema e ler o que dizia a crítica, eu e meu marido optamos pelo filme Missão Babilônia, do diretor francês Mathieu Kassovitz.
Como gostamos muito de ação, nossa expectativa era grande. Além disso, a história parecia interessante por se aproximar do filme Filhos da Esperança (Direção: Afonso Cuarón), onde um sujeito mercenário, chamado Toorop (Vin Diesel), tinha em suas mãos uma missão quase impossível. Ele precisava transportar em segurança até os Estados Unidos, a jovem Aurora (Melanie Thierry), reclusa em um convento do Cazaquistão, que guardava um segredo capaz de salvar toda a humanidade.
Mesmo com algumas cenas quentes, já que Toorop precisava defender Aurora de diversos inimigos, não passou muito tempo para nos decepcionarmos com o longa. A sensação era de algo incompleto, recheado de perguntas sem respostas. Mas, afinal, o que poderia ter dado errado com o enredo? Só mais tarde ao ler uma entrevista com Kassovitz, pude entender o "x" da questão. Segundo o cineasta, o motivo do fracasso foi uma divergência com Joseph Simas (co-escritor) no momento da edição, onde, aproximadamente, 70 minutos do filme foi cortado.
Confesso que fiquei frustrada, principalmente por ter confiado na crítica. Foi aí que me lembrei que a crítica também pode decepcionar. E por que não? Certa vez, participava de uma palestra, e um dos palestrantes, o jornalista e crítico de O Globo, Arthur Dapieve, disse que o ritmo das redações, questões de espaço, a falta de preparo e aprofundamento no assunto colaboram efetivamente para uma crítica vazia, que analisa superficialmente o produto.
Pensando no que acontece nas redações, acabei indo mais longe, outro fator importante e óbvio deve ser considerado: a visão de mundo. Acabamos nos esquecendo que as pessoas não são iguais. O sujeito que realiza este trabalho, tem a percepção, o olhar e tantos outros fatores distintos, e com certeza essa reflexão nos tornará um pouco mais maleáveis.







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