Imagem do dia

Imagem do dia
Com quem vc luta?

segunda-feira, 10 de novembro de 2008


O OLHAR ESBRANQUIÇADO

Em cima da hora para sessão do filme Ensaio sobre a Cegueira do diretor brasileiro Fernando Meirelles, observo que não há fila para compra do bilhete daquela sessão. Eu, meu marido e dois casais de namorados formávamos a pequena fila. A confirmação do pouco público veio quando entrei na sala de cinema: dez pessoas no máximo compunham o local.

O filme Ensaio sobre a Cegueira foi baseado na obra de mesmo nome do escritor português José Saramago. Durante anos o diretor Fernando Meirelles tentou comprar os direitos do livro de Saramago, sempre sem sucesso. O escritor afirmava que obras que viram filmes acabam fazendo com que o leitor perca a linha de imaginação, porém depois de muita insistência resolveu ceder.

Não tive oportunidade de ler o livro, porém estava super entusiasmada e interessada em assistir o filme. Com a crítica dividida, Ensaio sobre a Cegueira, surpreendeu e também decepcionou muitos expectadores.

O filme que conta à história de uma sociedade inteira contraída por um surto de cegueira “branca” pois as pessoas ao contrário da cegueira comum enxergavam apenas um grande clarão. Apenas uma das personagens não contraiu a doença que mostrava ser facilmente transmitida. Ensaio sobre a Cegueira não chegou a me surpreender, nem decepcionar posso dizer que o filme foi bom.

Julianne Moore vive a falsa cega que por amor ao marido resolve se juntar no precário abrigo onde isolavam as pessoas contaminadas. Durante todo o filme ela se dedica a ajudar as pessoas no convívio e também a fugir daquele local, já que passavam por terríveis dificuldades. Sempre omitindo sua condição de enxergar.

Uma lição de humanismo pode ser apreciada pela performance da atriz, porém o lado do proveito e do oportunismo também pode ser observado. Como próprio Saramago afirma em suas declarações Ensaio sobre a Cegueira é pesado e desesperador para todos que conhecem a história.

Ao final do filme observo os comentários da minúscula platéia e percebo que assim como a crítica as opiniões se dividiam. Um dos casais que estava na fila da bilheteria chega a discutir entre si, resolvo me aproximar e saber o motivo.
Fernanda Machado e Roberto Pedroso estavam divididos, Roberto já tinha lido o livro e gostou muito do filme. Já Fernanda, só fez criticas ao elenco, a história, a fotografia e a imagem. Confesso que também me incomodou um pouco a claridade em excesso que Meirelles colocou nas telas. Ela ainda culpou o namorado por não ter assistido a outro filme. Meu marido também na conversa expressou sua insatisfação com o filme, concordando com a moça.
Como já dizia o sábio, nem Jesus Cristo agradou a todos, pelo menos vivemos em uma democracia onde todos ainda podem expressar suas opiniões promovendo debates e podendo enxergar histórias alheias sobre diferentes olhares.

Nenhum comentário: